Postado por Agência PT, em 17 de janeiro de 2016 às 12:27:27

A abertura de novas vagas para o Mais Médicos, anunciada na última semana, comprova a eficácia e relevância do programa para o atendimento da Saúde Básica no Brasil. É o que avalia o ex-ministro e atual secretário Municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha.

“O Mais Médicos é um sucesso. É um primeiro passo e um passo extremamente corajoso para mudarmos a realidade da saúde pública do nosso país. Temos mais de 60 milhões de brasileiros que só passaram a ter um profissional médico na sua comunidade, no seu bairro, a partir desse programa”, ressalta.

Na segunda-feira (11), o Ministério da Saúde publicou edital para contratar três mil novos profissionais. A intenção é repor as demandas criadas pela saída daqueles que participaram do programa para obter pontuação em seleções de residência médica. Os interessados podem se inscrever na seleção entre os dias 12 e 15 deste mês.

A lista das cidades com vagas abertas pela será publicada no dia 25 de janeiro. A previsão é que os profissionais selecionados na primeira chamada iniciem as atividades em fevereiro.

“Tudo isso só mostra que estava correta a decisão que tomamos de criar um programa como esse e que os apontamentos que faziam os críticos iniciais não se concretizaram. Muito pelo contrário”, avalia o ex-ministro da Saúde nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff.

Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do ministério, Heider Pinto, em coletiva de imprensa, na última semana, a previsão é que este chamamento tenha a maior quantidade de vagas desde que o programa foi implementado.

“O programa é muito bem sucedido em relação aos indicadores de saúde com presença do programa e as novas vagas, a reposição e a ampliação da participação de médicos brasileiros só reafirmam isso”, complementa Padilha.

Na periferia da maior cidade do País - Na cidade de São Paulo, são mais de 200 profissionais do Mais Médicos, em especial, na periferia. E, segundo Padilha, esses locais atingiram maior redução na taxa de mortalidade infantil e a redução da necessidade de encaminhamento de casos para hospitais e centros especializados.

O exemplo vem de bairros na Zona Sul da cidade, que chegaram a um número de mortes menor que 10 por mil habitantes, menor que a média do estado, região que contava com o menor número de leitos por habitantes.

A continuidade do Mais Médicos tem grande impacto na capital paulista. Foi firmada recentemente uma parceria da prefeitura com o Ministério da Saúde para, além dos médicos que atuam no programa, contratar mais 252 para reforçar o atendimento na periferia.

O programa - Dados do Ministério da Saúde mostram que foram contratados 18.240 médicos desde a criação do programa. O número é responsável por atender a 4.058 municípios e 34 distritos indígenas, atingindo a 63 milhões de brasileiros que não tinham acesso ao atendimento médico.

O sucesso apontado por Padilha se traduz em números. É o que mostra pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais e do Instituto de Pesquisas Sociais e Políticas e Econômicas de Pernambuco, divulgada em 2015.

O levantamento entrevistou 14 mil usuários em 700 municípios e aponta que 95% dos usuários estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a atuação dos médicos do programa. Do total, 85% disseram que a qualidade do atendimento médico está melhor ou muito melhor após a chegada dos profissionais; e 82% disseram que as consultas passaram a resolver melhor os seus problemas de saúde.

Exemplo exitoso - No Piauí, a chegada dos profissionais atendeu a 100% da demanda. O estado do Piauí conta atualmente com 264 médicos estrangeiros. Ao todo, são 370 equipes do Mais Médicos e do Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica (Provab), em 155 municípios.

Segundo a coordenadora do Mais Médicos no Piauí, Maria Idivani Braga, os municípios piauienses estão com todas as equipes que solicitaram profissionais completas. “O programa trouxe uma grande melhoria na atenção básica à saúde em todo o estado. Isso é inegável”, relata.

“Nos municípios em que visitamos há a satisfação evidente da população. E alguns gestores do estado chegaram a confidenciar que, se pudessem, substituiriam suas equipes todas por profissionais do Mais Médicos”, confidencia Idivani.

O motivo, segundo ela, seria o alto grau de comprometimentos desses profissionais, pelo fato de conseguirem manter os médicos nos municípios, e a redução da rotatividade desses profissionais, que costuma ser grande no estado do Piauí.

“O programa consegue fixar o profissional e isso traz uma tranquilidade muito grande para a gestão, de poder ter um médico ali, fixo, para atender a população. Ele não precisa se preocupar que amanhã ou depois vai perder aquele médico e isso vai gerar um transtorno para ele substituir”, explica.

Idivone comenta também a satisfação da população com o atendimento prestado pelos profissionais do Mais Médicos. “Devido à alta rotatividade dos profissionais, muitas vezes o paciente chega ao posto e não tinha um médico. Hoje a população chega e sabe que o médico vai estar lá”, lembra.

As informações, formulário de adesão e edital podem ser acessados aqui.

Por Flávia Umpierre, da Agência PT de Notícias