O corte de R$ 1 bilhão no orçamento de 2001
Josué Pellegrini
Assessor da Liderança do PT
na Câmara dos Deputados
* O corte de R$ 1 bilhão
O governo anunciou um corte
extra no orçamento de 2001. O Decreto 3.746 (06/02/01) já havia estabelecido o
limite para empenho das despesas de custeio e
de capital passíveis de contingenciamento em R$ 52,2 bilhões, R$ 5,8
bilhões inferior ao crédito aprovado no orçamento de R$ 57,9 bilhões. Agora,
somam-se aos R$ 5,8 bilhões, mais R$ 968,1 milhões de corte, contido no Decreto
3.878 (25/07/01). Este corte é o resultado líquido de duas providências.
A primeira providência cortou de R$ 1.431,1 milhões
para R$ 297,3 milhões uma reserva formada no início do ano e que se destinava a
ser utilizada posteriormente. Portanto, tratou-se de um corte de R$ 1.133,8
milhões, na forma de recursos que seriam destinados aos ministérios até o final
do ano e que não serão mais.
A
segunda providência foi a revisão dos limites de empenho dos vários
ministérios, com aumento líquido destes limites de R$ 165,7 milhões. O aumento
bruto foi de R$ 1.130,7 milhões e a redução bruta foi de R$ 965 milhões,
redução esta estabelecida na Portaria Interministerial 157 (20/07/01). O mais
afetado foi o Ministério da Comunicações, mais exatamente o FUST com corte de
R$ 497 milhões. O FUST origina-se de uma taxa de 1% sobre a receita das
empresas de telefonia e destina-se a universalizar os telefones e computadores
nas escolas. Outro órgão com maior perda foi o Ministério da Ciência e Tecnologia
com corte de R$ 100 milhões.
Entre os órgãos mais
beneficiados estão a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e o Ministério da
Saúde com R$ 256 milhões e R$ 240 milhões, respectivamente. A majoração no
primeiro caso pode estar relacionada com a intenção de interferir nas
importantes decisões a serem tomadas pelo PMDB nos próximos meses. Quanto ao
segundo caso, embora favoreça o Ministro Serra, pode não ser suficiente para
que se cumpra o limite mínimo de recursos para a saúde na esfera federal, conforme
determina o mandamento constitucional.
Quanto à justificativa para o novo corte, autoridades do
Ministério da Fazenda afirmaram que se devia á necessidade de conter o aumento
da relação dívida pública/ PIB. A argumentação é risível, pois o ajuste fiscal
seguido desde o final de 1998 já gerou um superávit acumulado do setor público
de cerca de R$ 90 bilhões do início de 1999 até maio de 2001 e a dívida líquida
do mesmo subiu de R$ 386 bilhões em dezembro de 1998 (43,3% do PIB) para R$ 618
bilhões em maio de 2001 (51,9% do PIB).
A intenção do governo é
sinalizar para os credores do setor público que o país segue fiel à política
acertada com o FMI, buscando com isso isolar-se do contágio argentino. Na mesma
linha estão as atuais conversações com o FMI para prorrogar o acordo que vence
em dezembro próximo. É possível que a
proposta orçamentária para 2002 venha para o Congresso Nacional contendo um
esforço fiscal além dos 3% do PIB já previstos, especialmente se a situação na
Argentina se agravar.