Carlos Eduardo Pimenta: Culto aos patos

Os cultos foram reduzindo, o pato foi diminuindo e o Messias foi demonstrando que sua caça por justiça era direcionada

José Cruz/Agência Brasil
Tribuna de Debates do PT

Ao término das eleições de 2014, com a reeleição de Dilma Rousseff e a vitória da democracia, testemunhamos o (res)surgimento de uma nova crença.

Os integrantes dessa crença começaram de maneira tímida, mas em meados de 2015 começaram a botar suas manguinhas de fora. Era fácil identifica-los, sempre estampando as cores da bandeira nacional, os mais abastados surgiam com camisas da CBF, e tinham um discurso de combate à corrupção e uma verdadeira caça a todos os políticos.

Mas só a vestimenta e o discurso não satisfazem uma crença, eram necessários um símbolo e um messias.

Obviamente isso não foi problema para os integrantes desse novo culto, elegeram o pato como símbolo e um juiz lá da República do Paraná despontou como messias.

Pronto, estava tudo certo!

Rapidamente conseguiram apoio da mídia, que já era fiel garantidor dessa crença antes mesmo de sua existência, e começaram a venerar o pato e seu messias, sempre repetindo o bordão “Fora todos!”.

Os cultos eram animadíssimos, milhares de pessoas lotando as ruas, coisa bonita de ver, todo mundo venerando o pato, e o movimento só crescia, foram convertidos, inclusive, vários trabalhadores socialistas.

Ia tudo muito bem obrigado, o culto arregimentava cada vez mais fiéis, tinham demonstrado a sua força, afinal de contas, conseguiram expulsar a presidenta eleita e dar o alicerce popular para o início de um governo golpista.

O entusiasmo estava nas alturas, o céu é o limite para o culto, o que faremos agora?

Infelizmente, como toda crença, existe uma cúpula que determina os rumos que esta deve seguir e aqui não era diferente.

Os cultos foram reduzindo, o pato foi diminuindo e o Messias foi demonstrando que sua caça por justiça era direcionada, e, ante a letargia dos fiéis, a cúpula foi expandindo os seus tentáculos e demonstrando quais eram de fato os seus objetivos.

Primeiro retiraram as verbas para a saúde e educação, bloqueando os investimentos por 20 (vinte) anos, depois veio a reforma da Previdência.

Afinal, quem no nosso culto depende de saúde e educação públicas? E esse negócio de aposentar já está há muito tempo superado, fiquei sabendo que tem gente que fica até doente quando se aposenta.

Muito embora alguns fiéis tenham reclamado, coube à uma diligente e comprometida rede de televisão explicar que essas alterações eram benéficas a todos.

A nova meta agora é a reforma trabalhista, essa é a menina dos olhos da cúpula do culto!

A Constituição e a CLT dão muito trabalho. E que história é essa dos sindicatos junto com os movimentos sociais irem contra os anseios da crença? Mobilizaram uns 35 milhões em uma grevezinha e já acham que podem afrontar os nossos planos.

Por fim, é de bom alvitre que os fiéis abram os olhos, pois, caso continuem a seguir cegamente os ditames da cúpula do culto, os patos serão eles mesmos.

Por Carlos Eduardo Pimenta, advogado do Rio de Janeiro, para a Tribuna de Debates do PT.

ATENÇÃO: ideias e opiniões emitidas nos artigos da Tribuna de Debates do PT são de exclusiva responsabilidade dos autores, não representando oficialmente a visão do Partido dos Trabalhadores

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