Dilma assume presidência do Mercosul

Inclusão da Bolívia no grupo, acordos comerciais e de preferência tarifária com Líbano e Tunísia e até padronização de placas de carro nos seis países estão entre medidas previstas

Mercosul

Dilma substitui Cristina Kirchner no comando do bloco

Medidas relacionadas à cidadania dos cidadãos sulamericanos, inclusão da Bolívia no bloco e acordos comerciais de preferência tarifária são o foco central da reunião de cúpula dos países do Mercosul, que acontece nesta quarta-feira (17), na cidade de Paraná, Província de Entre Rios, na Argentina.

No encontro, que teve início nesta manhã, a presidenta Dilma Rousseff assumiu em nome do Brasil a presidência pro tempore do bloco pelo período de seis meses, no lugar de Cristina Kirchner, presidenta da Argentina.

Formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, o bloco econômico da América do Sul deve incorporar no encontro o sexto país-membro, a Bolívia, após aprovação dos parceiros. O presidente boliviano Evo Morales está presente à reunião, mas a adesão do seu país ao Mercosul sofre resistência paraguaia.

O bloco tem três pilares de apoio: os de caráter comercial e econômico, o social e o da cidadania. Em momento de renovação política e fragilidade nas relações comerciais entre os países-membros, que registram uma queda de 20% nos últimos meses, a reunião se empenha na aplicação de medidas de integração e fortalecimento da cidadania.

A implantação de um padrão comum de placas de carro em todos os países, a vigorar a partir de 2016, é uma das medidas sob análise da cúpula. A Argentina também vai apresentar uma cartilha para facilitar a vida do cidadão que atua na região.

O livreto contém uma série de orientações sobre como fazer para que o cidadão tenha livre circulação no bloco, tanto com intenções profissionais, de trabalho, quanto para comercialização de produtos. O objetivo é desamarrar os entraves burocráticos e facilitar, por exemplo, a validação de um diploma de graduação nos países vizinhos.

Além dessas preocupações cidadãs, a 47ª reunião agendou a assinatura de acordos de preferência tarifária com o Líbano e Tunísia, países do Oriente Médio e África, respectivamente, destinados a intensificar o comércio com esses países.

Também está previsto a confirmação de acordo de relações comerciais com a União Euroasiática, bloco formado pela Rússia, Cazaquistão, Bielorrússia e Armênia.

A integração produtiva de setores como o de brinquedos, têxtil, calçados, cosméticos e de softwares também está sob discussão no encontro e tem como objetivo a redução da importação desses produtos da China.

Fortalecimento  – Em seu discurso, Dilma destacou a importância crescente do Mercosul e o fortalecimento da democracia nos países membros.

“Neste ano, assistimos a vibrantes processos eleitorais, com ampla participação popular, em dois membros plenos, Uruguai e Brasil, e nos países irmãos Bolívia e Colômbia”, disse aos outros chefes de Estado presentes.

“Essa celebração da democracia era impensável na América do Sul poucas décadas atrás,” completou.

Dilma também falou sobre o aumento do comércio intrabloco, que passou de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para aproximadamente US$ 60 bilhões em 2013. “Esse crescimento é superior à evolução do comércio mundial como um todo,” ressaltou.

Para o período em que presidirá o Mercosul, a presidenta garantiu que o Brasil se empenhará em aprofundar as discussões sobre o futuro da união aduaneira, avançar na definição de estratégia conjunta de inserção internacional e aperfeiçoar os mecanismos institucionais.

De acordo com ela, frente ao cenário de crise internacional, a aposta na integração regional deve ser ampliada para reforçar as capacidades e as alternativas dos países.

“Fizemos do Mercosul a mais abrangente iniciativa de integração já empreendida na América Latina, transformamos o Mercosul em um projeto ambicioso para alcançar o desenvolvimento econômico com justiça social e a nossa integração”, disse.

“O Brasil vai se empenhar de todas as formas para que o Mercosul continue avançando,” concluiu Dilma.

 

Da Redaçãoda Agência PT de Notícias

 

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