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28/07/2010

A Revolução Sandinista e a visita do presidente Daniel Ortega ao Brasil

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Texto do Núcleo do Partido dos Trabalhadores em Manágua – PT Manágua

Prezados Companheir@s,

 

Em 1979, o mundo presenciou uma das mais importantes revoluções da história: a Revolução Sandinista. Após vários anos de guerra de guerrilha, a juventude nicaraguense armada tomou Manágua no histórico dia 19 de julho. Milhares de pessoas foram às ruas apoiar a Revolução, enquanto o ditador Somoza fugia com sua amante em um iate pelo mar do Caribe.

 

Os sandinistas tiveram pouquíssimo tempo de paz para reconstruir o país. Já no início de 1980, o Governo dos Estados Unidos armavam e organizavam grupos paramilitares em operações de destruição e desestabilização nas áreas de fronteira entre a Nicarágua e Honduras. A participação direta dos americanos, na contrarevolução nicaraguense, veio a público no desvendar do Processo Irã – Contras (esquema de retirada de dinheiro do orçamento americano na venda de armas ao Irã, para financiar a oposição armada na Nicarágua). Foram 10 anos de guerra, bloqueio econômico, minagem de portos e estradas, organizados pela maior potência do planeta contra o segundo país mais pobre das Américas (hoje a Nicarágua tem uma demanda judicial, contra os EUA, de 40 bilhões de dólares de indenização de guerra).

 

Mesmo sofrendo uma brutal guerra de agressão, o Sandinismo nunca deixou de ser democrático; em 1990 a oposição venceu as eleições presidencias e Violeta Chamorro inicia o período de 16 anos de governos neoliberais na Nicarágua. Neoliberalismo nós conhecemos muito bem aí no Brasil com FHC e suas privatizações. Aqui, a receita foi a mesma e o resultado igual: concentração de renda, transferência do patrimônio público para a elite capitalista, aumento da pobreza, destruição de infraestrutura, etc.

 

No ano de 2005, Daniel Ortega vence as eleições presidenciais; como no resto do mundo, a Nicarágua virava a triste página do Neoliberalismo e retoma a Revolução Sandinista.

 

Hoje, com muito esforço, o Governo da Nicarágua e a Frente Sandinista de Libertação Nacional avançam na reestruturação do país, construindo um projeto socialista, cristão e democrático. Os principais avanços da Revolução Sandinista hoje são:

 

1- Reforma agrária e urbana, com a regularização e distribuição de milhares propriedades,

2- Programa Fome Zero, com distribução de alimentos e animais,

3- Programa Usura Zero, pequeno empréstimos com taxas de juros simbólicas para gerar emprego e renda,

4- Alfabetização, em 2011 a Nicarágua estará livre do analfabetismo,

5- Universidade para todos, a universidade pública é gratuita e para todos (sem vestibular),

6- Valorização dos salários (em 2009 o aumento real dos salários foi de 7%),

7- Estabilidade da moeda e responsabilidade fiscal. Mesmo com todas as pressões sociais, o Governo Sandinista tem uma enorme responsabilidade físcal, mantendo as contas públicas organizadas e saneadas. Esta responsabilidade gerou uma estabilidade cambial nunca antes vivida no país.

 

Em 19 de julho passado, a Revolução Sandinista comemorou seu 31º aniversário. Nesse evento foi possível medir o grau de apoio popular à Revolução. 600 mil pessoas participaram do ato de comemoração da Revolução e de apoio ao Governo de Daniel Ortega. A Nicarágua tem pouco mais de 5 milhões de habitantes e estavam concentrados, no “malecon de Manágua” , mais de 12% da população do país, para dizer sim a Revolução e ao Governo.

 

O mundo mudou muito de 1980 para cá. Hoje não é mais possível, para os EUA, organizar e financiar uma guerra de agressão à Nicarágua. Hoje a guerra é de informação, a chamada guerra midiática. Aqui, muito mais que no Brasil, a grande imprensa perdeu totalmente contato com o mundo real. Criaram uma realidade ficcional que somente existe para desestabilizar o Governo Sandinista. Distorção, manipulação, falsificação dos fatos é a realidade diária da grande imprensa local.

 

Na visita do Presidente Lula à Nicarágua em 2007, o Brasil abriu as portas para a cooperação e o comércio entre os dois países. Nosso Governo prioriza as relações com a América Latina e luta para construir uma nova ordem mundial, porém, podemos avançar mais.

 

Com a visita do Presidente Daniel Ortega ao Brasil, em 28 de julho, nós do Núcleo do Partido dos Trabalhadores em Manágua – PT Manágua conclamos o total apoio à Revolução Sandinista. Pedimos mais aproximação entre o PT e a Frente Sandinista de Libertação Nacional.

 

Assinado

 

Núcleo do Partido dos Trabalhadores em Manágua – PT Manágua

“Sandino vive e la lucha sigue”

 

Manágua, 21 de julho de 2010.
 

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