Os militantes do Partido dos Trabalhadores podem se orgulhar de, nesses 28 anos de história, terem influenciado positivamente a sociedade brasileira, na construção do companheirismo, da solidariedade e da generosidade, valores que, próprios da tradição da esquerda, foram, em grande medida, assimilados pela sociedade.
A maior de nossas vitórias eleitorais, a eleição e reeleição do presidente Lula, revela também um outro triunfo importante da história do PT. Vencemos mais que a eleição. Superamos o preconceito dos que diziam que um operário não serviria para ser presidente da república.
Também são vitórias importantes as conquistas obtidas com a implantação das políticas públicas de nossas administrações em diversos níveis. Nosso cartão de visitas para o país e para o mundo conta com a inclusão social representada pela criação de milhões de empregos com carteira assinada e o ingresso de jovens das classes populares no ensino superior.
Tudo isso aconteceu com a oposição de parte da sociedade, que prefere um exército de desempregados e que acha correta que o acesso ao ensino superior seja seletivo e que a seleção seja feita pela classe social das pessoas. Na idéia desses inimigos do PT, curso superior deve ser um privilégio dos ricos.
Se é verdade que influenciamos positivamente a sociedade, e que essa influência possibilitou a ampliação de nossa presença institucional (com a eleição de prefeitos, vereadores, governadores, senadores e deputados), também é verdade que a sociedade e a política tradicional influenciaram o PT.
Neste momento, em que começamos a definir nossa participação nas eleições municipais de outubro próximo, essa influência da política tradicional pode ser percebida com mais clareza, quando interesses de grupos tradicionais locais buscam influir nas decisões internas do PT, com o objetivo de ter nosso Partido ao lado das candidaturas majoritárias que representam seus interesses.
O PT administra suas disputas internas com a referência da solidariedade e da generosidade que herdamos da tradição da esquerda. Os regulamentos dos encontros para definição das políticas de aliança e para escolha dos nossos candidatos e das prévias eleitorais internas são conhecidos com antecedência, após definição de nossas instâncias de direção.
Acontece que, nem sempre, esses valores prevalecem diante da influência nos nossos processos internos de representantes dos interesses da política tradicional. Esses interesses (e suas regras) quando invadem nossos processos internos de tomada de decisões, atropelam a fraternidade e a generosidade entre os petistas, instituindo, entre nós, um clima de denúncias públicas envolvendo companheiros e companheiras, o que contribui para o enfraquecimento do PT.
O presidente do PT de São Paulo Edinho Silva, em dezembro passado, na solenidade em que tomou posse, destacou, em seu pronunciamento, a tarefa dos dirigentes e militantes do Partido dos Trabalhadores em reafirmar a prática da generosidade e do companheirismo que sempre marcaram nossa história.
As regras dos encontros e prévias já são de conhecimento de todos. Temos certeza de que o espaço democrático de expressão e de defesa das idéias será garantido e ampliado. Sabemos também que é unânime entre os petistas o objetivo de fortalecer nosso Partido.
É preciso, contudo, reafirmar a prática solidária e o companheirismo nos eventos definidores de nossa política para as eleições municipais de 2008. Essa prática, ademais, já faz parte de nossa vida cotidiana. O que precisamos é ampliar o espaço democrático de debate entre nós, para não permitir a influência de valores que não são os nossos e que, aliás, sempre combatemos.
Queremos seguir sendo o Partido dos Trabalhadores que é referência para milhões de mulheres e homens que sabem que o futuro será cada vez mais justo, mais solidário e socialista. Essa referência, que se afirma no combate aos preconceitos de todos os tipos e na luta pela implantação de medidas de inclusão social, também se alimenta da construção, todos os dias, da solidariedade e da generosidade.
José Claudio de Paula é jornalista e filiado ao Partido dos Trabalhadores