Vice de Pont, Silvana luta por uma Porto Alegre da diversidade

Na chapa com Raul Pont (PT), Sivana Conti traz na bagagem a militância pela diversidade de gênero, pela igualdade racial e pela educação

Caroline Bicocchi

Silvana Conti e Raul Pont

Silvana Conti (PC do B) é lésbica e não esconde sua orientação sexual. Nem tampouco deixa que isso a defina. Sua militância, conta, nunca foi focada apenas na luta LGBT, mas sim por direitos humanos, por igualdade racial, melhorias trabalhistas, emancipação feminina. Agora, a professora e sindicalista pode tornar-se vice-prefeita de Porto Alegre, junto com o candidato Raul Pont (PT).

Aos 12, descobriu-se gay quando se encantou por uma professora no colégio onde estudava. “Eu me senti muito sozinha. Eu sofri muito na escola. As pessoas me viam apenas pela questão sexual”, relembra. Aos 15, formou-se professora, carreira que seguiu durante toda a vida. Os dois fatos estão conectados. “Fui para a educação para poder investir na formação de homens e mulheres livres”, diz.

Quando era diretora de escolas, por exemplo, comprava fogão de brinquedo, bonecas e carrinhos para meninos e meninas, de forma que todas as crianças experimentassem de todas as brincadeiras.

“Eu militava na educação na questão dos direitos humanos. Educação como Direito Humano, educação pública, laica de qualidade, que acolha as pessoas independente da sua origem, raça, etnia, orientação sexual, identidade de gênero”, conta.

“Então, eu fui me forjando uma militante e achei importante trabalhar na educação para que nenhum menino ou menina sofresse violência dentro da escola”.

Em 2010, como diretora de uma escola da Restinga, um dos bairros mais negros de Porto Alegre, ganhou o selo de Igualdade Racial da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, extinta pelo governo do golpista Michel Temer (PMDB).

A partir da Lei 10.639, que institui o ensino da cultura e história afro-brasileira nas escolas, Conti direcionou os recursos da escola para a compra de material didático com esse tema, para a formação de professoras, para chamar contadoras de histórias.

“Para que as crianças e adultos negros se reconheçam como negros, mas não como escravos. Porque os negros e negras não nasceram escravos. Mas foram escravizados. Foram arrancados da África”, com  ela.

A professora acredita que Porto Alegre perdeu sua marca de diversidade com a falta de políticas públicas das últimas gestões. “Nesse momento, existe em Porto Alegre o desejo de reprimir essas manifestações por parte do poder público”, diz ela.

“Porto Alegre é a diversidade. Precisa retomar o espaço de capital do Fórum Social Mundial. Quando lembra do Fórum, você lembra da diversidade”, afirma.

Segundo ela, a atual gestão cria uma cidade cinza, retirando as pessoas dos espaços públicos e fortalecendo apenas os que tem mais dinheiro. “Joga sua gestão para criar condomínios fechados, shopping centers”, diz ela.

GOLPE

Um dos temas mais presentes na campanha de Raul e Silvana é a resistência ao golpe. Os dois estiveram presentes nas manifestações contra o impeachment ilegítimo de Dilma Rousseff (PT) e contra o governo golpista de Temer. Mesmo o PSOL, que em muitos lugares do Brasil se uniu na luta pela democracia, em Porto Alegre se calou.

“O PSOL daqui acaba fortalecendo a direita daqui. A gente precisa muito se aliar com os movimentos sociais e com a população para fazer esse enfrentamento”, explica ela. A candidata Luciana Genro (PSOL) também concorre à prefeitura da cidade.

O golpe, em sua leitura, tem um componente de machismo, pela Dilma ser mulher. E o outro é o desmonte da esquerda da América Latina, da formação dos BRICS, de uma colocação mais independente na política internacional. “O Brasil é uma peça importante para desarticular tudo isso. Não é acabar com o PT, é acabar com a esquerda, com tudo isso”, afirma.

Segundo ela, essa será uma campanha miliante. “A política foi criminalizada. A gente tem que ir e dialogar com as pessoas, e disputar, e mostrar que o voto é muito importante”, afirma. Apesar do preconceito contra o PT devido ao ataque midiático, as pessoas conseguem fazer a vinculação de como a cidade está agora e de como já foi muito melhor quando o PT governava.

“É chegar e dizer: vim falar da cidade de Porto Alegre. O Raul foi um dos  melhores prefeitos que a gente já teve. As pessoas vão relaxando”, conta. “Não tem como jogar fora as conquistas sociais do PT no governo federal nos últimos 13 anos”.

Por Clara Roman, da Agência PT de Notícias

 

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