Ato reúne 30 mil contra o golpe e manipulação da mídia

Em São Paulo, manifestação organizada pela Frente Povo Sem Medo se reuniu no Largo da Batata, em Pinheiros e marchou até a frente da Rede Globo

Lula Marques

Movimentos sociais, centrais sindicais e organizações independentes participaram do “Ato em defesa da democracia – A saída é pela esquerda”, no fim da tarde desta quinta-feira (24/03) no Largo da Batata, em São Paulo, para protestar contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) e a cobertura parcial da mídia sobre o noticiário político. A atividade reuniu 30 mil pessoas que marcharam até a sede da Rede Globo, segundo divulgou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que integra a frente Povo Sem Medo, que organizou o ato.

Foto Paulo Pinto/AgenciA PT

Foto Paulo Pinto/Agencia PT

Coordenador do MTST, Guilherme Boulos contou que o trajeto foi pensado para protestar “contra aos que sempre tiveram ao lado da casa grande”. “Se você tem alguma dúvida sobre como se posicionar sobre qualquer questão, olhe a Rede Globo e faça o contrário”, sugeriu. Ele também lembrou que golpes já foram dados recentemente na América Latina, como no Paraguai em 2012 e Honduras em 2009, sempre com apoio dos grandes veículos de comunicação.

O comerciário Edival Valter Oliveira, petista desde 1980, e o eletricista Wallace Henrique, filiado em 2006, participaram do ato com bandeiras do Núcleo de Ação pela Democracia Popular (NADP), grupo criado há cerca de um ano no diretório paulistano. “Está mais claro que trata-se um golpe paulista, com Serra, Skaf e também Rede Globo”, acredita Wallace.

“As manifestações mostram o seguinte: queremos a paz, mas não tememos a guerra. Se eles acham que haverá estabilidade derrubando a Dilma, estão muito enganados. A estabilidade virá com o fim do impeachment a possibilidade do Brasil voltar a crescer”, disse o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão. Ele também defendeu que o Supremo Tribunal Federal retire a suspensão da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil. “Lula é ficha limpa, portanto não há nenhuma razão para ele não ser ministro”, disse o presidente do PT.

Políticos de vários partidos de esquerda engrossaram o ato, como os deputados federais Ivan Valente (Psol-SP) e o ex-ministro Orlando Silva (PCdoB). Valente afirmou: “Estamos aqui para defender os direitos dos trabalhadores e contra o ajuste fiscal. O processo de impeachment está sendo tocado por um delinquente que deveria estar preso: Eduardo Cunha”.

A diarista Jeane Campos, 35, veio de Embu das Artes na Grande São Paulo para participar do ato; e trouxe o filho Iudi, de seis anos, porque acredita que o governo Dilma trouxe melhorias ao país. “Ela ajudou muito nos negócios do trabalho, da escola para as crianças, na saúde”, disse. Ela teme que a situação piore com a saída da presidenta. “Acho que a gente perde muita coisa”, disse.

Foto Paulo Pinto/AgenciA PT

Foto Paulo Pinto/Agencia PT

A cartunista Laerte, presente entre os manifestantes, disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” que “a importância desse movimento é que as pessoas entendam que elas não estão sozinhas. Às vezes, nas redes sociais, quem pensa diferente pode achar que está sozinho. Não, agora, com essa manifestação quem está contra o golpe vai poder encontrar os seus iguais”.

Por volta das 18h40, o grupo começou a marchar pela Avenida Faria Lima em direção à zona zul da capital paulista. Eles passaram pelas avenidas Juscelino Kubitschek e Engenheiro Luís Carlos Berrini. Às 20h45 os manifestantes entraram na Avenida Chucri Zaidan e chegaram em frente à sede da TV Globo. “Chegamos ao final da marcha no local que é o simbolo de um golpe que está sendo arquitetado no país”, disse um dos organizadores do ato. Projeções com “golpe não” e “não vai ter golpe” foram feitas no edifício da emissora. O ato foi encerrado por volta das 21h10.Pelo Brasil pela Democracia
Atos similares reuniram manifestantes também em Brasília (DF) e Rio de Janeiro (DF). No Rio, o Festival pela Democracia reuniu  na Cinelândia artistas contrários ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Em Brasília, os manifestantes começaram a se concentrar às 17h em frente ao shopping Pátio Brasil. Perto das 19h, o grupo caminhou pela W3 Sul, em direção à W3 Norte, ocupando duas faixas da pista, em direção ao prédio da Rede Globo em Brasília.

Movimentos sociais articulam novas manifestações contra o golpe na próxima quinta-feira (31/03), em todo o Brasil.
Veja na agenda: www.PT.org.br/agenda

Da Redação da Agência PT, com informações de Jornalistas Livres, Brasil 247, Agência Brasil e Rede Brasil Atual

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