Bolsonaro deve responder pelos crimes de responsabilidade

Bancada do PT no Senado reforça novo pedido de impeachment contra o presidente pelas quase 360 mil mortes na pandemia. “O presidente é um genocida”, diz o líder Paulo Rocha. “O governo precisa saber que o Brasil não é um vale-tudo”, critica Jean

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Bolsonaro acusado de sabotar o combate à pandemia

Diante da escalada de mortes pela Covid-19 no Brasil, que caminha para as 360 mil óbitos até o final desta semana, – e a condução desastrosa pelo governo federal da pandemia no país, o PT e outros partidos de oposição voltaram a fazer pressão pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A cobrança é que outras forças políticas se somem para que Bolsonaro seja responsabilizado criminalmente pela catástrofe humanitária no país, que está se isolando do mundo e passou a viver uma combinação trágica de mortes pela pandemia e aumento da desigualdade e da pobreza, enquanto a economia afunda.

Bolsonaro é um genocida”, acusa o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA). “A OAB concluiu que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e contra a humanidade ao tentar sistematicamente impedir que medidas adequadas ao combate da Covid-19 fossem tomadas. Por isso, o presidente deve responder pelas mortes”. A posição de Rocha é reforçada pelos outros integrantes da bancada petista no Senado.

“Não chegamos num desastre de mais de 350 mil mortos à toa. Houve omissões, ações incompetentes e criminosas”, aponta o líder da Minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN). “O governo precisa saber que seus atos não acontecem num vácuo, que o Brasil não é vale-tudo, e que é preciso, dos governantes, responsabilidade acima de tudo”.

“É como se estivesse tendo um terremoto, que você sabe que está vindo, mas não faz nada para retirar as pessoas do local”, compara o senador Jaques Wagner (PT-BA). “É disso que se trata. O mundo inteiro fez assim, enquanto o Brasil é classificado como o pior país do mundo no enfrentamento da pandemia”. Ele aponta que Bolsonaro precisa responder pelos crimes. “O presidente da República é réu confesso pelo caos sanitário e humanitário que vivemos”, afirma.

Revés

Nesta quarta-feira, 14, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou, em entrevista à CBN, que a tentativa dos governistas de adiar o começo da CPI da Covid-19 pode aproximar os trabalhos da comissão das eleições do ano que vem, o que será muito pior para Bolsonaro. “A repercussão disso do ponto de vista eleitoral, que parece ser a única preocupação relevante para o presidente Bolsonaro, vai terminar se voltando contra ele”, aponta.

Representante do PT na CPI, Humberto defende a investigação de que a posição negacionista do presidente não é por ignorância ou falta de conhecimento técnico, mas porque ele foi convencido de que o ideal para enfrentar a Covid-19 era buscar a imunidade de rebanho. Para o senador, esse raciocínio levou aos demais erros cometidos pelo Planalto, como a sabotagem do isolamento social, a disputa com estados e municípios e a omissão na compra de vacinas. “Não é meramente omissão. Pode ter sido uma ação concreta. Essa é uma tese que temos que investigar”, aponta.

A mesma posição tem o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que também é médico e está como suplente na CPI. “Bolsonaro apostou na imunidade por contágio, a chamada ‘imunidade de rebanho’ e foi isso que provocou milhares de mortes”, afirma o senador, que é especialista em medicina preventiva e mestre e doutor em saúde pública pela Unicamp. “Não tenho dúvida que é a tese que configura crime de responsabilidade de Bolsonaro e a CPI da Covid tem a missão de apurar”, opina.

Humberto alerta para a importância da CPI pressionar o governo a adotar medidas corretas. “Infelizmente, esse governo só toma as medidas necessárias quando é pressionado”, afirma o senador, que foi ministro da Saúde no governo Lula. “A CPI pode ter esse componente a mais, que é de ampliar a pressão para que o governo faça a coisa certa”, avalia.

Do PT Senado

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