Direitos trabalhistas e soberania, o legado de Getúlio Vargas

Em 24 de agosto de 54, um tiro no coração travou a ofensiva dos setores conservadores contra a afirmação de “um Brasil soberano, livre e dono de si”

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Getúlio Vargas foi o criador da Petrobras

Direitos para os trabalhadores, fortalecimento da soberania nacional, emprego do patrimônio nacional na melhoria da qualidade de vida da maioria da população. Há 64 anos, o suicídio do presidente da República Getúlio Vargas interrompia o processo de desestabilização do projeto político que se assentava sobre esses três pilares — os mesmos que nortearam os 13 anos de governos petistas, interrompidos pelo golpe de 2016, cuja consumação completa dois anos neste agosto.

Em 24 de agosto de 1954, um tiro no coração travou a ofensiva dos setores conservadores contra a afirmação de “um Brasil soberano, livre e dono de si”, como resume o senador Paulo Paim (PT-RS), gaúcho como Getúlio, para quem o legado do presidente “continua vivo entre todos os trabalhadores”, especialmente no reconhecimento dos direitos contidos na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e na criação da Petrobras.

Não é coincidência

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Como no processo que desaguou no golpe contra Dilma Rousseff em 2016, “Vargas teve sua vida devassada pelos adversários políticos e pela imprensa em decorrência da postura que adotou”, como lembra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidenta nacional do PT.

Assim como João Goulart, deposto pelos militares em 1964, e Juscelino Kubistchek, alvo de feroz campanha de difamação, Getúlio e os governos petistas jamais foram perdoados pelas elites por “tentaram reduzir a desigualdade social para transformar o Brasil em um país melhor”, ressalta Gleisi.

“Todos eles foram acusados impiedosamente de corrupção pelas forças conservadoras, mas ao final terminaram absolvidos pela História, pois ninguém conseguiu levantar uma única prova que manchasse suas biografias”.

Direitos e soberania

Ainda no período do Estado Novo, na década de 30 do século passado, Vargas privilegiou os trabalhadores, garantindo proteções individuais e coletivas como jornada de trabalho de oito horas, descanso semanal remunerado, férias anuais, salário mínimo, previdência social e direito à organização sindical. Investiu na criação da Petrobras, contrariando os interesses das poderosas petroleiras norte-americanas. Em 1932, o governo Vargas instituiu o voto feminino.

“Os golpistas que assumiram o poder em 2016 já deram várias provas de seu desprezo por quem ousou construir um Brasil grande e justo. Já mexeram na CLT e na Petrobras de Vargas, destroem a indústria nacional sonhada por JK, repetiram a receita da tomada do poder à força, travestida de golpe parlamentar”, compara a senadora.

O senador Lindbergh Farias (RJ), Líder do PT no Senado, destaca um trecho da carta-testamento deixada por Getúlio, lembrando que ela permanece muito atual e descreve com precisão a mobilização conservadora que desaguou no impeachment de Dilma Rousseff: “A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho…. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente. ”

Calúnias

O Líder da oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), destaca o papel da máquina de propaganda da grande mídia nos processos de golpe contra Getúlio, em 1954, e contra Dilma, em 2016. Nos dois casos, “foi amplo o emprego da meia verdade e da calúnia”. A tática de ataque dos oposicionistas era acusar Vargas de corrupção e de ser o líder de uma quadrilha que havia criado um “mar de lama” no Brasil.

Humberto avalia que o suicídio de Getúlio brecou o processo de instalação de uma ditadura militar no País, já que a comoção popular com a morte do presidente impediu o prosseguimento das manobras.

Por PT no Senado 

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